Os dias se arrastavam. Um a um, escorriam pelo calendário como gotas de garoa na vidraça num domingo cinzento. Um, mais um, mais um, os preparativos lentos, o dia ainda distante. Os vizinhos brigavam como sempre, a pia da cozinha pingava como sempre, o trabalho entediava como sempre.
Mariana contava os dias num calendário de gatos que havia comprado em promoção, tentando se animar. A cada mês, um filhote gracejava em uma foto colorida, e a cada dia Mariana marcava um grande X vermelho. Evitava ver as outras fotos, esperava a surpresa, mas sabia que os filhotes invariavelmente seriam fofos e inertes. Faltava uma semana ainda. Naquele ano, seria numa sexta-feira.
Acordava à mesma hora todos os dias, com o despertador tocando estridente. Levantava-se da cama com preguiça e ia até o banheiro de seu pequeno apartamento, onde lavava o rosto e arrumava o cabelo. Na cozinha também pequena, preparava o mesmo desjejum toda manhã — café com leite quente, torradas com manteiga, uma fruta, a que houvesse. Separava sua marmita do dia, preparada no fim de semana, separada em potes que já congelava no domingo, e deixava perto da porta do apartamento. Escovava os dentes, se vestia, e saía, pegando a marmita que havia deixado no banco. Caminhava até o ponto de ônibus, sempre dez minutos antes, caso o ônibus passasse mais cedo, o que nunca acontecia. Mariana esperava de pé protegida pelo telhado que a prefeitura havia instalado há anos e nunca mais havia consertado, sozinha.
Sentava-se sempre no mesmo lugar do ônibus – do lado direito, no meio, numa das cadeiras baixas logo à frente das rodas. Casemiro lhe havia dito que ali era o lugar mais confortável do ônibus e argumentou essa informação tão boba de forma tão apaixonada que ela se havia decidido a sentar ali sempre que pudesse. Sorriu, pensando em Casemiro e suas teorias, sempre fundamentadas e apaixonadas.
No escritório, passava os dias morosos digitando, clicando, cruzando números. Vendas, compras, estoques, margens, prazos, lucros. Era boa nisso, muito boa. Todos sabiam que Mariana era a melhor da área, mantendo números na cabeça, telefones de clientes, datas de aniversário, nomes de familiares e de animais de estimação. Sabia que teria aquele emprego enquanto o quisesse.
Seu chefe pedia os relatórios de vendas mais recentes com delicadeza, polidamente, pela segunda vez. Mariana não os tinha esquecido, estava no final, mas os fazia automaticamente, com indiferença, pensando nele, Casemiro. Casemiro, que sempre zombava de si mesmo, “nome de velho”, dizia, “mas alma de jovem!”, e ria da própria piada todas as vezes, com gosto e divertido. Era uma risada contagiante, sincera, cativante — impossível não rir junto. E Mariana ria todas as vezes. Até sorriu por um instante enquanto fazia os relatórios, mas os números logo perderam a graça e voltou ao seu olhar distante de sempre enquanto verificava e digitava mais números na planilha eletrônica.
No almoço, os colegas a convidavam para ir com eles a um novo restaurante, “muito bom e bem barato, você vai gostar!”, garantiam. Mas Mariana não tinha interesse. Tinha sua marmita de casa, gostava de economizar, preferia comer sozinha e pensar em Casemiro.
Casemiro, que gostava tanto de sua comida, que tentava tanto cozinhar, mas sempre terminava queimando o fundo e errando nos temperos. Mariana comia, sorrindo, sabendo que ele fazia seu melhor por ela, mesmo que faltasse sal, mesmo que tivesse pimenta demais, mesmo que ele esquecesse a cebola. Ele pesquisava receitas, fazia jantares surpresa, comprava vinhos — a comida sempre com gosto de queimado e carinho.
Quando ela cozinhava, Casemiro comia tanto que quase passava mal. Ela brincava, dizia que ele teria uma congestão, que não queria levar ninguém ao hospital, mas ele afrouxava o cinto e dizia caber mais, rindo. Depois, dormiam juntos, a sesta da tarde, aos sábados, aos domingos, sempre que podiam, aconchegados um ao outro.
A comida do almoço acabada, Mariana limpava o microondas, lavava seus potes na pia da pequena cozinha da empresa, sozinha com seus pensamentos, e logo sentava-se novamente à frente do computador e continuava o trabalho. Planilhas e relatórios com dados mastigados para seu chefe decidir quem seria o vendedor do mês e quem precisaria de uma injeção de ânimo a portas fechadas.
Os colegas, voltando do almoço, falavam mais baixo quando passavam por Mariana já concentrada no trabalho, seu olhar fixo e distante no monitor. “Não sei como consegue”, dizia um; “É a vida”, dizia outro; “Talvez ela precise disso, sei lá”, um terceiro dava de ombros e erguia as mãos. Todos os dias.
Mariana ouvia, mas ignorava. Não fazia diferença o que pensavam, nem o que diziam. Ela estava ali, chegava sempre na hora, fazia seu trabalho, entregava seus relatórios e ia de volta para casa no fim do expediente.
Voltava de ônibus, como na vinda. Caminhava até o ponto mais próximo, tomando cuidado com seus pertences, desejando intensamente não ser abordada por ninguém em seu trajeto. Quase nunca era. Esperava por alguns minutos, geralmente não mais que quinze, tomava o ônibus, cumprimentava o motorista e se sentava no meio, do lado direito, numa das cadeiras baixas em frente à roda, e ficava perdida, olhando para fora, pensando em Casemiro.
Casemiro, que não gostava de ônibus, mas gostava menos de dirigir, e achava carros um grande desperdício de espaço e dinheiro. Que passava todo o tempo das viagens que faziam contando estórias, anedotas de conhecidos, perguntando e ouvindo atentamente o que Mariana respondia, sacudindo a cabeça, seus olhos sorrindo para ela.
Logo o ponto chegava, Mariana dava sinal, e descia, verificando se tinha pegado tudo. Tinha, sempre. Caminhava rapidamente até seu prédio, atenta aos ruídos a sua volta, abria a porta da rua e subia pelo elevador até o oitavo andar (“o número da sorte na China!”, diria Casemiro). Na porta um pequeno pássaro de vidro brilhava pendurado em um prego — uma das lembranças compradas em uma viagem que fizera com Casemiro a Minas Gerais. Mariana olhava o pássaro, abria a porta, e entrava no apartamento. Acendia as luzes, tirava os sapatos, os pés quentes, deixava sua bolsa no cabide ao lado da porta e ia comer. Um jantar leve, uma sopa, uma salada, um sanduíche talvez. Tomava um banho quente, invariavelmente, escovava os dentes, e se deitava para dormir.
À noite é quando mais pensava em Casemiro. Quando se deitavam juntos, Casemiro se tornava sério, se abria para ela. No escuro, dizia-lhe o que pensava dela. Dizia-lhe o quanto a achava linda, ela, que não era nada demais. Dizia-lhe o quanto a achava inteligente, ela, que era mediana. Dizia-lhe o quanto ela dava sentido a sua vida, ela que era indigna de ter Casemiro consigo em sua cama.
Ela respondia o que pensava dele, mas era sempre pouco, não sabia se exprimir bem, não conseguia demonstrar a dimensão do que sentia por ele. Ficava sem jeito, temia ser brega, temia ser ridícula. Ele sorria — ela sentia o sorriso, mesmo que não o visse — e a beijava com carinho e paixão, o hálito quente dando-lhe vida, e se amavam, com ternura e desejo, todas as vezes que dormiam juntos.
Casemiro dizia querer se casar com Mariana, de verdade, “de papel passado”, como ele dizia, e terem uma vida juntos, não simplesmente irem morar juntos num lugar qualquer. “Nada de errado, mas quero que todos vejam o quão sortudo sou”, ele dizia. “Quero um casamento com festa, mas não precisa ser na igreja.” Mariana ria, indiferente ao casamento, mas sabendo que aceitaria assim que ele pedisse. Ele dizia que ainda precisava de mais dinheiro, e trabalhava bastante por ele todos os dias. Era a vida. Se viam nos fins de semana, se amavam, se falavam durante a semana, mas moravam distantes um do outro.
Mariana acordava no dia seguinte com o despertador, mais uma noite sem sonhos. Levantava-se e ia ao banheiro lavar o rosto. O dia anterior se repetia, mas o calendário tinha mais um X vermelho.
Nos fins de semana, Mariana ficava em casa sempre que podia. Ia ao mercado, comprava suas necessidades, cozinhava para a semana, e ficava no sofá, o sofá que Casemiro havia comprado para eles poderem assistir à TV juntos. Ligava o aparelho e escolhia a esmo um filme ou uma série qualquer, apertava o botão e olhava para a tela sem ver nada. Quando terminava o filme ou o episódio, já não se lembrava do que tinha acontecido. Não importava, estava pensando em Casemiro, em deitar-se com ele no sofá e passar o preguiçoso fim de semana agarrada a ele.
Naquele sábado, foi às compras. A contragosto, foi até o shopping center — era a maior concentração de lojas com o menor tempo de transporte entre elas, mas ficava incomodada com a felicidade forçada das pessoas. Procurava um vestido novo, nada muito caro, mas de bom corte, de tecido bonito.
Visitou algumas lojas, não queria provar nada que não gostasse. As vendedoras forçavam, tentavam empurrar vestidos caros e “da moda”, mas Mariana sabia o que estava procurando e não estava disposta a ceder. Andou por algum tempo, olhou várias vitrines, até que encontrou um que a agradava. Era de corte simples mas elegante, com busto discreto, e fresco, o que seria importante, já que o calor já tinha chegado. E combinariam com os sapatos que pretendia usar. O preço era um pouco alto, mas ainda dentro de seu orçamento.
No provador, experimentou o vestido e notou que não se olhava no espelho há meses. Estava magra e pálida, cansada, mas achou que o vestido ficou bom, caiu-lhe bem. Desviou os olhos para se trocar novamente e comprou o vestido, assentindo com a cabeça aos entusiasmados comentários da vendedora. Agradeceu e saiu.
Pensou em comer no shopping, mas decidiu-se a voltar para casa. Ainda tinha comida de sexta-feira, que não tinha terminado, e não gostava de desperdiçar nada. Também já tinha feito o gasto com o vestido, e haveria mais gastos durante aquela última semana.
No ônibus, sentou-se do lado direito, em frente à roda, nas cadeiras mais baixas.
Em casa, experimentou mais uma vez o vestido, já com os sapatos, assegurando-se de que combinavam, e colocou o vestido no cesto de roupas a lavar. Casemiro havia lido um artigo que falava da enormidade de sujeira acumulada desde a fábrica até a loja e sempre lavava suas próprias roupas novas antes de usá-las.
Depois do almoço, deitou-se novamente no sofá, ligou a TV e passou a tarde olhando os movimentos na tela enquanto pensava em Casemiro. À noite, tomou um banho e deitou-se, como sempre fazia.
Na segunda-feira, marcou seu X vermelho no calendário e foi-se ao trabalho, pensando que só faltavam quatro dias. Distraiu-se no ônibus pensando nos preparativos. Teria passado o ponto, mas o motorista lembrou-se dela e parou, perguntando sobre a moça que descia ali todo dia. Agradecendo e levemente encabulada, Mariana saiu do ônibus com suas coisas e caminhou rapidamente até o escritório, já perdida novamente nos preparativos.
Na hora do almoço, convidada a se juntar aos colegas, recusou-se novamente. Tinha sua comida lá, mas também precisava usar o computador do trabalho para fazer pesquisas pessoais. Comeu rapidamente e lavou seus potes com menos esmero que o usual, sentando-se para fazer algumas encomendas.
Para seu embaraço, seu chefe precisou lembrá-la que seu horário de almoço já havia acabado há meia hora e Mariana, surpresa por ter se distraído tanto, desculpou-se e prometeu ficar até mais tarde, mas o chefe fez questão de que não ficasse, sorrindo para ela com tristeza.
Na quinta-feira, faltando um dia, Mariana marcou seu X e saiu apressada – havia acordado tarde. Estava sonhando com Casemiro e não queria que o sonho terminasse. Desligou o despertador e forçou-se a adormecer novamente. No sonho, eles compravam uma casa e moravam juntos, felizes, casados. Acordou quando se viu sozinha na casa fria, sem Casemiro.
A manhã passava lentamente, e Mariana tinha dificuldade de se concentrar. Suas encomendas estavam feitas, os preparativos estavam prontos, mas faltava um dia. À hora do almoço, percebeu que havia esquecido sua marmita em casa e, convidada pelos colegas, decidiu-se a ir, ou ficaria com fome.
No restaurante, foi apresentada a um novo colega de trabalho que havia começado na segunda-feira. Foi educada, cumprimentou-o, e logo o esqueceu. A conversa não a interessava, mas Mariana olhava polidamente para quem falava enquanto comia. A comida era muito boa, o preço era bem barato, mas ela preferia estar sozinha. Talvez devesse ter ido a algum outro lugar, mas já não havia remédio. Estava ali e assentia com a cabeça, fingindo sorrir, esperando que os outros terminassem para voltar ao escritório.
No dia seguinte, finalmente, levantou-se de um sonho bom do qual já não se recordava quando chegou ao banheiro. Lavou o rosto, fez seu café da manhã, tomou um banho e vestiu-se. O vestido novo, os sapatos limpos, a maquiagem leve. Olhando-se no espelho enquanto aplicava a maquiagem, achou que estava melhor, os olhos menos fundos. Sorriu de leve para si mesma.
Saiu de casa com uma bolsa maior do que a que normalmente usaria e foi até o ponto de ônibus. As ruas já estavam cheias, algumas pessoas de carros, outras esperando os ônibus, muitas caminhando. Grupos carregavam flores e conversavam em voz baixa, expressões tristes nos rostos, enquanto outros pareciam menos pesarosos. Alguns cantavam enquanto caminhavam.
No ônibus, cumprimentou o motorista e sentou-se do lado direito, num lugar vazio à frente da roda. Olhava os pedestres, pensando em Casemiro, sempre Casemiro ocupando sua mente, Casemiro e suas estórias.
Quando desceu no ponto mais próximo da floricultura em que tinha encomendado as flores, sentiu a primeira pontada de tristeza, feroz e cruel. Segurou as lágrimas como pôde e caminhou até a floricultura. Seu Álvaro, o florista de sempre, recebeu-a com um sorriso respeitoso, sempre muito afável e solícito, disse ser bom vê-la e não lhe perguntou como estava. Mariana pegou o buquê de amor-perfeito e cravos brancos e cheirou-o delicadamente. O perfume sutil quase se perdia entre os aromas de tantas flores ali. Mariana agradeceu e caminhou o que faltava até o cemitério.
Mariana fechou os olhos e respirou fundo. Sabia exatamente aonde estava indo, mas a caminhada final lhe magoava novamente todos os anos. As pessoas limpavam as sepulturas de seus parentes, deixavam flores, acendiam velas e rezavam. Conversavam entre si, lembrando o passado e ensinando aos mais novos quem seus avós e bisavós haviam sido.
Caminhando lentamente, Mariana se preparava para a chegada ao túmulo de Casemiro. Era sua peregrinação anual, a reabertura de um ferimento profundo que não cicatrizava nunca, mas que ela se obrigava a fazer por respeito a sua memória.
O túmulo simples, de granito preto, tinha apenas a gravação de seu nome, datas de nascimento e falecimento, e uma pequena foto de Casemiro sorrindo, protegida atrás de vidro grosso. Ao ver a foto e lembrar-se do sorriso, Mariana não se conteve e uma lágrima escapou-lhe, correndo pelo rosto. Tirando-a rapidamente com um dedo, ela desviou o olhar e pôs o buquê no chão com delicadeza, ao lado da bolsa, de onde tirou uma garrafa com sabão para pedras e panos limpos.
Com carinho, como se cuidasse de Casemiro, Mariana limpou todo o túmulo. Não falava, não havia nada a dizer, mas chorava silenciosamente, derramando o futuro que nunca poderia ter com ele. Trabalhava como sempre, meticulosa, retirando a poeira e a sujeira acumulada da cidade, trocando os panos e atentando-se aos cantos. Logo, pousou o buquê abaixo da foto, beijou as pontas dos dedos e tocou o vidro com carinho. Não rezou. Não rezava desde sua morte.
Quando se virou para sair, ouviu uma voz chamando-a: “Mariana?”
Por um segundo de loucura, pensou ser Casemiro e olhou com avidez na direção da voz, mas a realidade logo se assertou e viu um rapaz desconhecido. “Sim?”, perguntou com cautela.
“É o Mário. Do escritório?” Ele parecia embaraçado, talvez arrependido de ter interrompido. Tinha estado chorando também.
Mariana, afinal, reconheceu-o. “Ah, sim.” Não sabia o que dizer, e ficou em silêncio, olhando para o colega.
“Eu… desculpe, não queria incomodar. Olha, esquece, finge que não falei nada”, disse enquanto olhava para baixo e limpava uma lágrima.
“Não, tudo bem. Mário, sim. Almoçamos ontem, né?” Mariana fazia um esforço para se lembrar de alguma coisa da conversa, mas nada lhe vinha além de tê-lo visto no restaurante.
“Isso.” Mário olhou para o túmulo de Casemiro, triste. “Ele tinha um sorriso lindo. Seu marido?”
Sem olhar para a foto, Mariana respondeu “Sim. Quase.”
“Quase?”
“E ela?”, Mariana perguntou, acenando de leve com a cabeça para o túmulo que Mário estava visitando.
“Minha esposa e nossa filha. Acidente de carro.”
“Sinto muito.”
“Obrigado. Sinto muito pelo seu quase marido também.”
Por um momento, Mariana sorriu. “Por que todos trazemos cravos brancos?”
Sem hesitar, Mário respondeu: “Porque é a flor da saudade. Trouxe também lírios, favoritos da minha esposa, e margaridas, o nome da nossa filha. Seu buquê é lindo.”
“Sim, com amor-perfeito.”
“Sim, claro.” Mário parecia perdido, olhando o túmulo de sua esposa e filha, e Mariana de repente sentiu um afeto enorme pelo colega que também carregava feridas profundas como as suas.
“Você… poderia me fazer o favor de não comentar sobre isso com os colegas? Sou novo na empresa, não quero que sintam pena de mim.”
“Claro, pode deixar.”
“Obrigado. É o primeiro emprego que consigo desde o acidente. Fico perdido sem minha esposa.”
Mariana assentiu com a cabeça e sorriu novamente, compreendendo perfeitamente.
“Você… toma café? Eu gostaria de saber mais sobre seu quase marido, se você quiser me contar.”
“Eu…” Mariana hesitou. Há anos voltava para casa e ficava pensando em Casemiro. Mas falar sobre Casemiro com alguém que escutasse de verdade e entendesse…
Mário acenou com a cabeça e sorriu com tristeza, começando a ser virar para o túmulo de sua família. Antes que ele pudesse falar qualquer coisa, Mariana interveio: “Tomo, sim. Ele se chamava Casemiro. Era meu melhor amigo.”
Ao saírem do local, Mariana acariciou de leve o túmulo e pensou Até o ano que vem, meu amor. E logo se viu compartilhando sua dor e sua saudade com alguém que, ela tinha certeza, também veria toda a beleza que ela enxergava em Casemiro.