Hoje vai ser por tópicos, pra facilitar a vida de todo mundo.
- Problema com a Bell
Pra começar, preciso explicar que a Bell é a nossa provedora de internet, e que contratamos apenas internet. Ou melhor, o cara fez uma oferta: a gente contratava a FibeTV, que é tipo uma Netflix da Bell, ele aumentava nossa velocidade de uns 50 mega pra 1 GIGA e o preço total caía tanto que ficava mais barato que só pagar a internet de 50 mega. Claro que isso é por um ano, mas aí a gente vê o que faz (provavelmente troca pra outro provedor, como todo mundo aqui…).
Bom, veio a primeira fatura, tudo certo. Aí veio a segunda fatura com um monte de ligações pra vários lugares do Canadá e dos EUA. Aí entrei em contato pra perguntar o que era. Depois de um tempo, a pessoa viu as ligações lá, mas viu também que não temos uma linha de telefone ativa e que isso não era possível. Ficou de passar pra outra pessoa pra verificar e que me ligariam em até dois dias. No quarto dia, entrei em contato, expliquei de novo, fui transferido pro superior direto. Ela verificou tudo, me ligou, conversamos e ela disse que tiraria as cobranças da conta e que monitorariam a linha. A conta cairia hoje e resolvi entrar pra verificar – continuava lá o diabo da cobrança! Entrei em contato de novo e me disseram que estavam vendo e que iam tirar etc. Uma supersupervisora me ligou, pediu mais informações, expliquei de novo, falei que não temos nem o aparelho telefone em casa pra ligar, e que não conhecemos ninguém pra ligar, mesmo que quiséssemos (violinos, por favor, pro drama). Aí ela me ligou depois, hoje mesmo, e disse que resolveu ligar pro número, já que ninguém achava informação sobre isso, e que era uma empresa de transportes por caminhão! Ela explicou o caso lá e aí disse que vão trocar nosso número (que só existe por causa da internet), pra eu ficar de olho caso venham mais cobranças de ligação. Isso tudo levou só três semanas…
- Biblioteca
Estou montando praticamente uma biblioteca sobre marcenaria e carpintaria em casa. Cada vez que vamos numa loja de usados ou num sebo (só fomos em um, por enquanto), levo quase tudo que eles têm sobre o assunto. Já devo ter uns vinte livros contando os dois que trouxe do Brasil.
Em tempo: marcenaria tem a ver com confecção de móveis, carpintaria com construção de imóveis
- Aniversário da Jolyn
Fomos no aniversário “a fantasia”, mas não tinha quase ninguém a fantasia! Levamos beijinho e brigadeiro, que só fizeram sucesso mesmo entre os adultos… crianças estranhas. A festa foi legal, mas não conhecemos ninguém e nenhum dos dois (Tati e eu) é muito sociável, então não tínhamos muito do que falar. Fora que quem mais ficou curioso pra conversar foram os pais da Jolyn e do Tyler, mas que acabamos não falando quase nada. O pai do Tyler, aliás, perguntou mais coisas, conversei uns quinze minutos com ele. Impressionante que eles não sabem quase nada de qualquer lugar que não seja Canadá ou EUA! Ele perguntou, por exemplo, se o Brasil é uma democracia, se é socialista ou comunista, se é uma ditadura… fiquei tentado a dizer que é uma ditadura mascarada, mas achei que pediria muito mais explicação do que eu estava afim de dar e acabei dizendo só que é uma democracia desde 1986. Ele nem sabia que tinha tido ditadura no Brasil. Na festa tinha também uma cerveja com amora – Tatinha adorou, apesar de ser cerveja com gosto de suco. Achei ok, e tomei Waterloo lager – delícia. Outra coisa interessante é um jogo chamado ladder toss – arremesso a escada, mais ou menos. De cada lado de um campo não muito longo você tem uma “escada” com três degraus. Cada participante tem três boleadeiras (duas bolas presas por uma corda) e arremessam as boleadeiras nas escadas. O objetivo é fazer com que as boleadeiras fiquem presas nos degraus, de preferência no de baixo, que vale três pontos (os pontos caem conforme se sobem os degraus). É como na foto:

- Apresentação do curso
Fui na apresentação do curso, que foi todo mundo de todos os cursos junto no ginásio e depois separou. Demorou pra cacete pra começar e quando começou foi uma enrolação danada. Um monte de gente pra falar, um monte de coisa genérica e que já tinha sido dita, mas tudo bem. Conheci alguns coleguinhas e claro que sou o mais velho. Mas um deles (acho que se chama Evan) é um pouco mais velho que a galera cheirando a leite. Depois fomos pro prédio central, esperamos numa sala e fomos levados pro prédio de trabalhos com madeira (Madeirédio? Não, horrível) pra apresentação do curso, feita por um coordenador. Achei bem interessante, especialmente a informação sobre empregabilidade e recursos. Outras informações pareceram úteis, mas acabaram não sendo (já explico, é o próximo tópico, de ferramentas). Aí uma mina puxou papo – esquisita, claramente com dificuldade social, se chama Britney. Grudou. Ela é legal, tenho quase certeza que é neuroatípica, nos demos mais ou menos bem, apesar de ela ser muito novinha e imatura e ser cansativa. Em uma palavra, ela é adolescente. Mas conseguiu o amiguinho que queria, pelo que ela mesma falou. Depois da apresentação teria um churrasco – lembrando que churrasco aqui é queimar coisas na grelha, não necessariamente o que se entende como churrasco no Brasil. Ela me convidou e lá fomos pro “churrasco”. Chegando lá, tinha duas filas: vegetariano e carne bovina. Ela falou que queria frango, eu disse que não tinha. Perguntei se ela preferia o vegetariano. Fez cara de nojo e disse que não. Aí eu falei que a fila era muito mais curta e, já que ela disse que não comia carne bovina, poderíamos ir no vegetariano. Fez cara de nojo, ficou indecisa um tempão, acabou optando por carne mesmo. Fiquei na fila com ela, apesar de saber que ia pegar o vegetariano (estamos reduzindo carne vermelha – aqui é super cara e gordurosa, não está fazendo bem). Nisso aparece uma senhora super esquisita e conversa com ela – é a mãe de um amigo dela. Elas conversam um pouco e entram no fim da fila. Resolvo ir ficar com as duas e a mãe do amigo parece fascinada comigo – lógico, porque sou um cara de quase quarenta entrando num curso universitário. Mais tarde aparece o amigo (cujo nome não lembro), com muita dificuldade social, também, mas só um nerd típico, achei. Quando chegamos na hora de pegar os hambúrgueres (ponto pra quem adivinhou que seriam hambúrgueres, um ponto a menos se alguém esperava CARNE mesmo depois de eu dizer que não teria), saí da fila pra pegar o vegetariano e disse que era o que queria, que tinha ficado na fila com eles pra fazer companhia. Só me olharam com cara de “como assim?!?”, o que não entendi, sinceramente. Eles davam o pão já aberto, colocavam a “carne” e você montava como queria, com alface, cebola, pimentão, picles (que não é comestível, ainda não entendi porque as pessoas insistem) e mostarda e ketchup. Não peguei molho nenhum, mas peguei todo o resto da comida (picles não é comida, só pra frisar), não quis os salgadinhos de pacote (tipo chips) porque são salgados DEMAIS aqui e peguei uma Gengibirra. Digo, um Canada Dry. Aí fui sentar e aparece a Britney, que estava me esperando, e fomos sentar com os outros. Conversamos mais um pouco, eles perguntaram minha idade (ela tem 19, ele tem 20, a mãe não falou, não perguntei) e eu me despedi e fui pro ponto esperar meu ônibus. Enquanto espero, passa a Britney – estava esperando a irmã, que é quem dirige, pra pegar uma carona. Disse que me ofereceria uma, mas que acha que a irmã não permitiria (?). Detalhe: são gêmeas idênticas.
- Compra de ferramentas
Isso foi um parto doloroso que precisou ser induzido e acabou virando cesária com complicação. O coordenador do curso disse pra comprarmos tudo na Lee Valley Tools, da melhor marca que pudéssemos pagar. A Lee Valley Tools é uma loja incrível e linda com ferramenta A RODO, inclusive coisas super especializadas, mas cujo foco é profissionais, hobbistas que se levam a sério (às vezes demais) e gente que tem dinheiro sobrando. Joinha pra ele, que super indicação que não indica nada – queria saber de marcas a evitar e marcas a desejar. Bom, aí fomos lá. Só que a Lee Valley Tools fica do outro lado da cidade e levamos mais de uma hora pra chegar. Ah, e tinha desconto. Bom, conversei com o vendedor e ele foi me ajudando a pegar coisas, mas uma hora ele vira e fala que as coisas ali são caras demais pra estudantes, mesmo com desconto, que várias outras ferramentas podemos comprar em lojas mais comuns (tipo Lowe’s e Home Depot – Leroy Merlin aqui), sugere outras lojas e acabamos saindo de lá com bem menos coisas do que tinha na lista.
Pra dar uma ideia, existe uma marca canadense maravilhosa chamada Veritas – só que a plaina da Veritas, adorada aqui, custa três vezes o preço de uma plaina da Stanley, que é uma marca ok de usar. Como somos estudantes e temos mais chance de estragar ferramenta do que de fazer alguma coisa maneira de verdade, não compensa pagar o preço de uma ferramenta ótima, mesmo que tivéssemos o dinheiro.
De qualquer forma, o processo envolveu ir em mais três ou quatro lojas, comprando as ferramentas em lugares diferentes, de marcas as mais variadas o possível, procurando preço e qualidade. Só o esquadro que precisei comprar um meio ruinzinho, porque era o único que tinha marcações métricas. Vou dizer de novo: o sistema imperial é uma abominação caótica que precisa urgentemente ser abolido. Odeio o sistema imperial.
Aliás, só encontrei uma caixa de ferramentas de aço (odeio o sistema imperial e plástico, não sei se já falei isso). Felizmente era a mais barata de todas e a mais bonita – vermelha, ainda que eu quisesse uma preta.
Vermelho, por sinal, está me perseguindo. Acho que é a cor favorita no Canadá, ou a mais odiada, porque tem MUITA coisa vermelha. Minha mochila, comprada aqui, é vermelha, e era a única cor que tinha. A caixa é vermelha, meu boné é vermelho, minha garrafa de água é vermelha, os estiletes são vermelhos, meu carro é vermelho, não uso espelho pra me pentear…
- Cinema: Dark Crystal, ou O Cristal Encantado, no Apollo
Só veja se você for muito fã do Jim Henson e do Brian Froud. Estou falando, é claro, do clássico e não da série nova da Netflix, que não assisti e não posso falar nada ainda. Mais provável, aliás, que nunca possa, porque não tenho intenção de assistir, pelo menos por enquanto. O filme é fraco, bem bobinho de história e interpretação. É legal pra ver os bonecos e tals, mas Labirinto é muito MUITO melhor nesse quesito, tem história, interpretação, David Bowie e Jennifer Connelly, além do trabalho do Jim Henson e do Brian Froud. Tipo, não dá pra comparar…
- Início das aulas
Minhas aulas começaram hoje, finalmente. Tive uma aula de matemática aplicada de manhã, com um cara muito bom, muito tranquilo. Parece que não vai ser nada complicado, mas vamos ver. Falamos de números inteiros (lembro da minha primeira aula de números inteiros, por sinal, ainda no Estadual – quem for de Teresópolis vai saber do que estou falando), média, arredondamento, ordem de resolução de operações. Próxima aula vai ser frações, e assim vai. Parece que o final do curso é mais difícil, com velocidade de rotação de eixos e tals (que lembro de estudar no CESO – de novo, Teresópolis).
Depois dessa aula, o professor sugeriu que já pegássemos um armário (ah, sim, tenho um armário, igual a gente vê nos filmes) a mais na oficina, pra guardar ferramentas e projetos pequenos, que acabavam logo e não tem suficiente pra todo mundo. Já corri lá e peguei. Felizmente compramos cadeados!
A segunda aula, à tarde, foi com uma professora romena ótima! Se formou em Engenharia de Madeiras, um curso que só tem na Romênia e na Alemanha, trabalhou em praticamente todas as áreas de marcenaria, e já dá aula há alguns anos. A aula foi sobre materiais, e ela começou falando sobre a estrutura da madeira, de árvores etc (que também lembro de estudar no CESO. Até que lembro bastante coisa da escola). Já adiantou que vamos terminar o curso sabendo identificar 22 tipos diferentes de madeira só pela estrutura – e que isso faz parte da prova prática no final. Ela é bem enrolada e parecia meio nervosa, e a turma lotada (é uma aula compartilhada por todo mundo no curso, então tinha mais de noventa alunos) não ajudou em nada. Bando de adolescentes infernais não calava a boca e não parava de fazer piadinhas. Já sabia que seria meio assim, claro, mas estou torcendo pra ser a única aula com essa gente toda. No fim da aula, fui ver os exemplos de madeira que ela levou pra mostrar pra turma e fiquei cheirando cada um. Britney tava junto e já perguntou o que eu estava fazendo, por que estava cheirando, e eu disse que cada madeira tem um cheiro. Ela perguntou se era verdade e a professora, que se aproximava, confirmou que cada madeira tem seu cheiro característico, que é comum o professor lixar ou cortar um pedaço pra reavivar o cheiro e ajudar na identificação. Aí resolvi mostrar o meu projeto de entalhe pra ela, pra ver se ela poderia me dizer que tipo de madeira é, e ela pediu pra levar na próxima aula.
Aliás, estou mais ou menos na metade do projeto de entalhe. Era um galho, por isso não sei qual a madeira (e ainda não fiz o curso pra poder identificar). Só que agora estou esperando meu Dremel e minhas goivas pra poder continuar o projeto, que só a faca não rola mais, pro que quero fazer. Amanhã tenho aula de Acabamentos I, com essa mesma professora da segunda aula, e Teoria de Técnicas de Marcenaria, com um professor que ainda não conheço.
- Genéricos
. Passamos na KW Surplus, onde comprei duas bolsas super simples e super baratas pra fazer alterações e colocar na bicicleta, apoiada no rack de trás. Ficou legal e funcional, mas descobri que existe um rack específico pra isso, que impede a bolsa de encostar na roda. Pensando no que fazer, ainda, se faço alterações nas bolsas e compro um rack novo (não quero) ou se faço alterações no rack (não tenho nem material nem ferramenta pra isso…).

. Fomos conhecer uma loja de quadrinhos, só pra matar minha curiosidade. Maneiro, bastante coisa, mas só fiquei tentado a comprar um Hellboy que tinha. Mestrado ainda mostrando seus efeitos na minha invontade de ler quadrinhos…
. Também passamos na Adventurers’ Guild – ou Guilda dos Aventureiros – tipo um café com mesas e muitos jogos onde uma galera se reúne pra jogar jogos de tabuleiro e RPG. Fins de semana rolam sessões, vou ver se vou lá conhecer um povo. Quero jogar! Eles tinham umas coisas de quando eu comecei a jogar, bateu uma nostalgia forte…
Encontramos lá um jogo chamado Arraial – mas em inglês. É um jogo português em que os participantes precisam encaixar peças no tabuleiro pra atrair gente pra sua festa de rua – o arraial – ou pra sabotar a festa da rua do vizinho. Quem conseguir mais participantes na sua festa, ganha. Parece meio Tetris, meio Mau-mau (Uno ou seja lá o que for).
