Diário do front 56 – Quinta – 08/08/2019

Hoje de manhã eu vi no Facebook um anúncio do Apollo Cinema – um cinema à moda antiga, com uma única sala, que ia exibir “Bill & Ted: Uma Aventura Fantástica”, um filme maneiríssimo e muito divertido de 1989, com Keanu Reeves em início de carreira. Eu não lembrava quase nada e Tati nunca viu. Decidimos ir – e era hoje mesmo.

Em essência, essa coisa dos filmes antigos lembra o Projeto Replicante de São Paulo. Tem inclusive como se filiar ao clube, ganhando descontos e convites pra eventos só pra membros, mas eu queria ir antes pra ver se, ao contrário do Projeto Replicante, não seria muito estressante.

O problema do Replicante é que eles ficam tentando fazer hype, pra sair cheio nas fotos, então as portas da sala de exibição ficam fechadas até cinco ou dez minutos DEPOIS do horário marcado pro filme começar, e o salão da frente fica lotado, com música tocando, com gente falando alto pra cacete, um calor infernal, porque é muita gente pra pouca ventilação. Quando abrem as portas, vai todo mundo procurar seu lugar, e aí demora mais vinte minutos pra começar o filme, com gente falando, porque parece que o brasileiro descivilizou, pulando na cadeira etc. No último alguém tirou os sapatos… Fora que o som nos cinemas está sempre MUITO alto! Quando fui assistir a um dos Senhor dos Anéis, o chão literalmente tremia.

Bom, outra novidade é que Tati decidiu que não vai continuar nesse trampo. Pelo visto, é bem difícil vender, tem que ficar insistindo, e ela não vai se sentir confortável fazendo isso. Além disso, agora é andar no sol, mas depois vai ser andar na neve, aí fica foda. Sinceramente, fico mais tranquilo, também, porque me parece um trabalho super arriscado. Você vai sozinho bater na porta dos outros e ser convidado pra entrar pra fazer a venda quando estiver frio. Podem ser meus instintos brasileiros, mas, na boa, pessoas são pessoas em qualquer lugar. Então, voltou a procurar outras coisas.

Enquanto ela ia no escritório devolver as coisas e pegar os tênis dela, eu fui no correio enviar um celular pros EUA pra ver se consertam (longa história, mas foi comprado lá e parou de funcionar logo depois, precisamos enviar pra lá pra ser analisado). Fui de bicicleta de novo, mas me arrependi, porque ainda estava BEM dolorido de ter ido no Sunrise Centre e voltado pela trilha. No correio, que fica dentro de uma farmácia, a moça foi super simpática e me ajudou com os processos (tipo onde cola etiquetas, essas coisas). Aí vi que ela tinha uma preguiça de crochê agarrada no microfone e eu comentei e ela disse que ganhou de uma moça porque ela adora preguiças. Começamos a falar de preguiças e eu disse pra ela que tinha visto uma de perto e ela ficou absolutamente encantada, chegava a brilhar os olhos. :)

Comemos em casa (e carne de porco moída é bem esquisita, não curti) e saímos pro cinema, que fica no centro de Kitchener. O lugar é super bonitinho, cara de antigo, descolado, todo carpetado, música baixinho, pessoas falando em tom civilizado, e servem até cerveja. Adorei, de verdade. Pra ter a experiência completa, pegamos pipoca e refrigerante. Por sinal, parecia um balde de refrigerante e era refil, que nem usamos porque já tinha meio litro fácil no copo. Quando estávamos entrando, procurando um lugar bom, a sala vazia, alguém me chama: Wes estava no cinema com o filho, Ethan. Vamos lá e cumprimentamos, ele apresenta o filho, e acabamos sentando com eles. Ficamos de papo até o filme começar.

 

Apollo Cinema

 

Sobre a sessão em si, a imagem é ótima, especialmente considerando-se a idade do filme, som incrível, claro e em volume bom – aquele que você ouve os sussurros e os tiros não parecem de canhão do seu lado. As pessoas falam super baixo ou nem falam, porque não ouvi ninguém comentando alto – só rindo. Achei a experiência do cinema em si e de assistir ao filme lá simplesmente ótimas, e vamos nos inscrever no clube pra ganhar descontos, porque já vi uns três ou quatro que vão ser exibidos e que quero ir. :D