Dia cheio, de novo.
Eu não contei, mas comprei um retrovisor pra Helô, pra ajudar a andar nas ruas. Isso foi ontem, e fui com ele pela trilha no meio do parque. Acontece que ele é um lixo total. A haste é muito mole e ele pula e muda de posição o tempo todo. Ou seja, dá mais trabalho ajustar do que ficar tentando olhar por cima do ombro. Hoje, entre outras coisas, fui devolver essa droga.
Outra coisa que também quebrou foi o assento da privada. O que estava aqui era péssimo, machucava demais, aí compramos outro. Tentamos não comprar do mais caro, mas não do mais barato, só que não adiantou, quebrou, também. O plástico que encosta na porcelana escorrega tanto que acabou quebrando a dobradiça, também de plástico. Vamos precisar de outro com urgência.
Mas o dia começou com a gente indo no ServiceOntario pra continuar a troca das carteiras de motorista. Quando chegamos lá, e já não era perto, ficamos na fila um bocado de tempo, só pra moça dizer que não era ali. Aí falamos que no site dizia qualquer ServiceOntario – mas não, é só um específico, que ali não tinha aquilo. Xingando loucamente, Tati mandou mensagem pra chefe dizendo que não poderia ir (já estava de sobreaviso, ao que ela respondeu ontem com um assustador “Ih, boa sorte” – que agora faz sentido).
Praticamente todos os ônibus aqui atrasam, mas alguns adiantam, o que é uma suprema sacanagem, então perdemos o ônibus que precisávamos pegar. O próximo seria uma meia hora depois. Sem escolha, ficamos esperando. Chegando no lugar, não muito cheio, mas bem barulhento, pegamos senha e ficamos lá plantadinhos esperando. Parece um Poupa-Tempo, mas com mais cara de antigo, MUITO menor e menos cheio. Aliás, é o único lugar em Kitchener que faz as provas de direção. Sim, único lugar. Quando nos chamaram, a moça estava ajudando uma novata, então foi uma confusão danada. Enfim, ela nos encaminhou pra fazermos a prova “escrita” – no computador, na verdade.
Passamos os dois, mas eu quase não passei! Você precisa responder vinte perguntas imbecis e só pode errar quatro, e depois mais vinte perguntas realmente importantes e só pode errar quatro. Eu errei quatro na primeira, mas felizmente consegui responder o resto. Recebemos um comprovante temporário e vão enviar nossas carteiras G1 (a “provisória” do Brasil) pelo correio. Agora precisamos fazer algumas aulas e depois marcar a prova de direção.
Explico: é de uma estupidez suprema você achar que o motorista deva lembrar quantos pontos ele perde na carteira por cada infração, ou quanto de multa vai pagar, ou quanto tempo de suspensão ele vai receber. Além de não fazer a menor diferença pro ato de dirigir com segurança – porque, afinal, está errado e não pode ser feito é o que deveria ser ensinado, parece que é quase um incentivo a “ah, foda-se, é só um ponto na carteira”. As partes realmente importantes são placas, velocidades máximas quando não tem sinalização, essas coisas. No Brasil é a mesma bosta, se bem me lembro de quando fiz a minha.
De lá, fomos no Walmart trocar o retrovisor ridículo e comprar queijo, passamos rapidamente na Canadian Tire pra comprar um retrovisor bom de verdade e uma tampa pra privada. Dessa vez investimos um pouco mais e compramos uma que diz ser de bambu sólido e tem as ferragens todas de aço zincado. Essa vai durar… Chegando em casa, ainda fui trocar o assento, mas instalar o retrovisor vai ficar pra depois, que chegamos os dois bem cansados.