Diário do front 46 – Segunda – 29/07/2019

Hoje montamos a cama com as traves que fomos buscar. Começamos montando a estrutura da cama. Daí, com muito medo de dar tudo errado, ainda mais usando a furadeira tosca que o proprietário do apartamento deixou pra trás (mas é alguma coisa, apesar de soltar umas faíscas), fiz os furos pra encaixar os pés e pra prender as traves nos suportes. Tati limpou enquanto eu guardava as ferramentas e aí colocamos o box spring em cima dela. Até aqui, tudo bem. Colocamos o colchão em cima e sentamos com cuidado. Nem rangeu. Aí subimos mesmo, rolamos pra lá e pra cá. Rangeu, mas normal. Fizemos o teste final e definitivo: colocamos o Sherlock em cima, rangeu, a tábua dobrou um pouco, mas não quebrou. Agora temos cama!

 

Sherlock e Alfredo aprovaram

 

Depois passamos parte da tarde resolvendo e arrumando coisas – mais uma caixa de areia com tampa pros gatos, consertando os porta-copos que compramos na Loja de Usados, coisas assim.

No meio de algumas dessas coisas, fomos no Walmart e no Zehrs (o outro mercado) comprar comida. No Walmart fomos de ônibus, mesmo, mas resolvemos ir de bicicleta no Zehrs, que era perto. Aproveitamos pra ir conhecer a LCBO – loja de bebidas alcoólicas. Compramos uma garrafinha de whisky Fireball, que é um whisky com canela que sempre quis provar, e uma garrafa do vinho tinto mais barato pra fazer Hippocras* pra Tati. Álcool é realmente caro, assim como tabaco. Aliás, coisa que não entendo, porque o Canadá liberou a maconha, mas dificultou muito o álcool e o tabaco. Acho um bocado hipócrita, sinceramente. Parece que quer ser o tio descolado que, no fundo, é super conservador…

O caminho em si foi ok, mas começou a chover forte na volta. Encostamos e paramos na beira de uma garagem e colocamos documentos e coisas que estragavam se molhassem na sacola impermeável que comprei. A cesta da Helô estava bem pesada, também, e isso dificultava muito, ainda mais na chuva e no vento. Vestimos as jaquetas impermeáveis e ficamos um tempo descansando. Quando resolvemos continuar, a chuva já tinha praticamente parado. Mas os problemas continuaram – a luz de trás da Ruddy parou de funcionar de novo – talvez tenha entrado água, apesar de ser vendida como à prova d’água. De repente começou a bater uma coisa nos raios da roda da frente da Helô – parei pra ver e o peso na cesta era tanto que amassou um dos suportes pra dentro e ele estava raspando. Redistribuímos as garrafas de suco, deixando só uma, e desamassei o suporte na mão, mesmo. Conseguimos chegar em casa, bem cansados, e colocamos as bicicletas pra dentro. Fui arrumar algumas coisas que ainda não estavam boas, em especial o freio traseiro da Ruddy, que ficou frouxo. Ele continua frouxo, por sinal. Aproveitei pra descer a cesta da Helô o máximo possível, inclusive pra pegar a parte mais forte do suporte. Agora vai ficar um pouco mais fácil, com a cesta mais baixa. Mas começou a escurecer e tive que deixar o resto pra depois, mesmo…

O resto da noite arrumamos mais algumas coisas e fomos dormir, que amanhã a Tati começa o treinamento do emprego novo – já está quase contratada. Ela também recebeu um convite pra outra entrevista, mas era muito ruim de chegar de transporte público. Ou ia no dia anterior e dormia na cidade, depois de viajar quatro horas, ou a gente alugava um carro. Conversamos e decidimos que vale a pena ir ver, apesar de tudo. Parece ser uma oportunidade melhor, pagando bem mais, mas só vai dar pra saber de verdade se formos até lá… De carro, detalhe, fica a uma hora daqui.

 

* Hippocras é um vinho temperado, com diversas receitas, todas bem antigas. Ele já era bem popular na Roma antiga, e foi produzido e consumido até o século XIX, quando praticamente desapareceu. Graças à Letícia que me apresentou uma garrafa que ela comprou numa feira medieval, fui atrás de receitas e fiz a minha. Tatinha adora e já compramos um cálice (na Loja de Usados) pra ela tomar Hippocras. Se tivesse dois, eu teria comprado um, também, mas era filho único…