Diário do front 35 – Quinta – 18/07/2019

Recebi um email da Jessica da imobiliária – a grossa. Ela basicamente só encaminhou um email da seguradora dizendo que entrariam no apartamento no dia seguinte, entre quatro e seis da tarde, estando alguém em casa ou não. Super esquisito. Você tem todo direito de acompanhar, mas não pode impedir a entrada. No email dizia que era pra inspeção de alguma coisa. OK, nada a ser feito.

Fomos ao Walmart de novo, de bicicleta – passamos mais tempo lá que em casa, parece. A decisão foi meio estúpida, porque está fazendo um calor assassino. Acho que estamos em treinamento espartano, pelo visto. Ou idiotano.

Compramos uma cortina BLECAUTE TOTAL A LUFTWAFFE ESTÁ VINDO maravilhosa – não passa nenhuma luz, nenhuminha. Digo, passa pelos cantos, óbvio, mas o tecido em si é totalmente opaco. Imagino que dormir vá ser uma maravilha daqui pra frente, especialmente considerando-se o silêncio que faz quase o tempo todo. Pegamos também um varão de pressão – aqueles que você estende e torce pra manter esticado, que prende na parte interna da janela, pra não precisar furar nada na casa (e era mais barato, também). Compramos uma garrafa térmica pra eu poder levar café com leite pra escolinha, digo, faculdade, e finalmente encontramos a lâmpada pra luminária da Tati que compramos na loja de usados. Na saída, o caixa começou a puxar papo e ele também estuda na Conestoga – ciência da computação. É engraçado ver que quase todos os indianos estudam coisas relacionadas a computadores ou a medicina. Nos falamos um pouquinho enquanto pagávamos, e voltamos de bicicleta num calor maior ainda, num puta sol. Chegamos semimortos, ligamos o ar-condicionado bem gelado e ficamos passando mal e mau-humorados até esfriar um pouco.

Quando nos recuperamos um pouco, guardando as coisas que trouxemos, Tati faz o anúncio fatal: a garrafa térmica é só pra líquidos frios. Não tinha me atentado a isso. Guardei de volta na mochila pra ir devolver e comprar a certa.

Aí começamos a arrumar umas coisas, porque já estava me dando nos nervos E a pessoa da seguradora vinha no apartamento. Bem ou mal é uma visita. Arrumamos e limpamos um monte de coisas e eu aproveitei pra fazer a caixa dos gatos. Marquei uma forma circular (porque círculo não era) e cortei com canivete. Aqueci as beiradas com isqueiro pra tirar as partes que poderiam machucar os dois idiotas, cortei e colei um pedaço de carpete na tampa. A caixa já estava com areia, só coloquei a tampa. Colocamos antes pra eles acostumarem. Aí peguei o Sherlock e coloquei em cima da caixa – aguentou, aguenta até hipopótamo, pelo visto. Ele não ficou muito feliz quando empurrei pra entrar no buraco, mas depois foi lá xeretar e acabou usando a caixa.

Depois de tudo limpo e arrumado, inclusive o banheiro, que deu um trabalho imenso pra tirar todas as crostas e minerais, e com o assento já trocado, tomamos banho e fomos descansar, que o dia foi longo – mas banho no banheiro limpinho é outra vida…