Diário do front 25 – Segunda – 08/07/2019

Fomos a outra Loja da Boa Vontade – ou loja de usados – procurar “coisas”.

O legal e o ruim de remontar a casa do zero é que você não tem exatamente uma lista pequena, mas também quer (pelo menos no nosso caso) não torrar toda sua grana comprando descascador automático de maçãs. Sim, existe isso. Então, você fica meio tentando se manter no mínimo, mas sem passar muito perrengue.

O legal e o ruim de ir nas Lojas da Boa Vontade é que não existe exatamente estoque – é o que tem lá. Daí, você acaba comprando coisas diferentes, às vezes que nem combinam, mas é porque está disponível e num preço bom. Então você acaba se perguntando coisas como “será que essas colherinhas de café decorativas de diversas viagens vão servir pra gente?” (resposta: sim) e “vou ter nojinho de cozinhar nessa panela toda engordurada mesmo depois de limpar tudo?” (resposta: não).

Fomos de bicicleta – 3.2 km daqui – e prendemos numa estacicleta que tinha lá, perto de uma loja de 1.99 (1.25, no caso). Primeiro fomos comer num lugar que tinha ali perto – Mary Brown’s. Sem muita escolha, porque não parecia ter nada perto, e disposto a experimentar, entramos no lugar. Um PUTA cheiro de frango frito em óleo velho. OK, vamos ver o que tem. Frango frito com complementos. Pensando que não tinha muita opção, mesmo, pedimos cada um uma porção de frango frito com batatas (que também eram fritas), e uma entrada de macarrão com maionese ou chucrute. Pedi o macarrão e a Tati pediu o chucrute.

A comida era horrível. Sério. Tudo frito com pele, óleo velho, fritaram a batata no óleo do frango, zero apetitoso, zero saudável, super pesado. Tiramos a pele do frango pra tentar aliviar um pouco, mas aí não tinha quase gosto nenhum. Meu macarrão estava com gosto de nada, o chucrute parecia chucrute – papel picado em vinagre. Deixamos parte da comida pra trás e saímos, pesados e arrependidos.

Aí fomos rodar na Loja. Olhamos um monte de coisas, pegamos uma panela (que depois descobrimos que não serve muito no fogão daqui), facas de serra, duas tigelas grandes, um cesto de lixo verde antigo, uma luminária de escrivaninha, um stein de mosqueteiros, um cortador de queijo da Holanda e uma bandeja pra talheres. Vimos uma cama e um aparador interessantes, mas logo veio uma moça dizer que iam fechar em cinco minutos! Enquanto eu pagava, Tati tirou medidas da cama e descobriu preço e saímos pra ir no 1.25. Tati ficou arrumando as coisas nas mochilas e na cesta da Helô enquanto eu ia na loja. De lá saí com um monte de coisas de qualidade duvidosa, mas que vão funcionar por um tempo, inclusive uma pedra de afiar, que as facas de cozinha que ficaram aqui parecem mais réguas que facas. Bicicletas carregadas, voltamos pra casa pelo mesmo caminho de antes.

Um detalhe é que a Ruddy está com problemas no freio – está desregulado e fica pegando no pneu em qualquer subidinha. Muita sacanagem com a pobre Tata que precisa penar nos pedais. Andamos uns pedaços a pé por causa disso e ainda não consegui arrumar. Outro problema é que o banco é duro e estreito – coisa de gente que gosta mesmo de sofrer na bicicleta. Vamos trocar, também.

Chegamos em casa, guardamos tudo e fomos arrumar mais coisas, que o apartamento continua uma zona, mas já está melhorando.

P.S. O stein de mosqueteiros, que deve ter deixado gente encucada: stein é uma caneca de porcelana grande pra tomar cerveja, com ou sem tampa. A palavra é inglesa, mas provavelmente vem de uma palavra alemã (não se diz “Stein” pra caneca em alemão – Stein é “pedra”). A minha é da Marzi & Remy, uma empresa alemã que começa no final do século XIX e dura até o final do século XX, quando fechou. Ainda não descobri quando foi produzida, mas sei que veio da Alemanha. Outra informação: o maior fabricante de steins hoje em dia está no Brasil e se chama Ceramarte. A sede é em Rio Negrinho, SC, e eles fornecem cerâmica, em especial canecas de vários tipos, pro mundo todo. As mais antigas são peças de colecionador. Tinha uma, inclusive, na loja, mas era de carros de corrida e não me atraiu. Pra quem não sabe, eu amo steins.

P.P.S. Logo vou fazer um post com os achados mais legais das lojas de usados. Aguardai.