Acordei às quatro, como programado, tomei café forte, me arrumei e peguei a estrada. Tudo ainda escuro, mas o sol já dava sinais de que chegaria. Se está anoitecendo depois de nove, está amanhecendo antes de cinco, também…
Waze faz as contas e me indica o caminho. As estradas são bem mantidas, parecidas com a Dutra, mas com mais faixas. As pessoas dirigem um bocado agressivamente! Cortando as outras, ultrapassando pela direita, freando em cima e por aí vai. Fora que o limite de velocidade parece mais uma sugestão, porque ninguém segue, absolutamente ninguém. Exceto eu, trouxa, claro, cravado no limite.
Chegando no aeroporto de Toronto a coisa já começa a complicar – pra variar, não tem informação suficiente e vou só seguindo o Waze, apesar de ter várias placas no caminho indicando o aeroporto. Só não sei que parte do aeroporto as placas indicam, porque elas não dizem!
Waze me leva, afinal, pra um estacionamento chamado Viscount Value Park – ou Estacionamento da Pechincha Visconde. Entro e estaciono lá mesmo e aí fico me perguntando onde diabos preciso ir. Melhor ir em direção ao prédio que vejo. Entro, rodo, e nada. Aí resolvo perguntar – as pessoas me dizem que preciso pegar o trem pros terminais. Desço o caminho todo de novo e atravesso uma ponte coberta, chegando ao trem. Que parece funcionar como um funicular. Sei lá. Tati me manda mensagem e me diz que está no terminal 1. Pergunto pra uns funcionários e eles me dizem que a AirCanada desembarca na porta 3. Fico confuso, mas acabo entendendo por inspiração divina que existe diferença entre o terminal, o portão e a porta! Acho que estou ficando burro ou tudo é muito confuso, mesmo!
Com isso mais ou menos entendido, vou até o terminal 1, portão C, deixando a porta 1 pra trás, e encontro finalmente a Tati com o Alfredo paralisado de medo na caixa. Só não dá muita pena porque ele é bem chato quando quer e parece querer sempre. Voltamos o caminho todo até o estacionamento, sem muitos miados, Tati com carinha de cansada que dá pena. Pegamos o carro, carregamos tudo e voltamos pro quarto.
Já no quarto, dormimos os dois um bocado de tempo e logo que acordamos vamos falar com Jolyn e as crianças, que estão do lado de fora. Evellyn fica encantada com o Alfredo, mas nem se aproxima muito porque ele está claramente arisco. Conversamos um pouco e saímos rapidamente pra passar na Freedom (uma operadora de celular daqui) e conseguir um número pra Tati. Voltamos logo e começamos a arrumar as coisas pra ir pro próximo Airbnb, que o checkout era hoje.
Nesse meio tempo, chega um email da imobiliária – precisamos resolver seguro de locatário e transferir todas as contas pros nossos nomes antes de pegar a chave…
No fim, foi melhor não ter rolado estender mesmo porque não caberia tanta gente e tanta coisa só no quarto…
Quando estamos prontos, mando mensagem pra Jolyn e peço pra eles aparecerem rapidinho pra darmos um tchau e vêm ela e o Tyler. Conversamos uns cinco minutos e deixamos semi combinado de ir no domingo comer sushi. Nos despedimos, entramos no carro e vamos pro próximo lugar (do qual esqueci de tirar fotos, claro).
O próximo lugar é uma casa antiga recortada em vários apartamentos menores – parece ser um tema recorrente. É bonito, com decoração toda industrial, mas a disposição de móveis é péssima – espaços mal aproveitados, não tem cozinha nem mesa pra comer, tem uma pia e uma cafeteira que não funciona. Quando mandei mensagem sobre a cafeteira, o anfitrião simplesmente me mandou uma mensagem dizendo pra verificar se o reservatório de água estava encaixado e um link pro YouTube… Mas ok, o apartamento funciona e é confortável, vai dar pra ficar os dois dias sem muitos problemas. Ah, e tem ar condicionado – mas não temos controle. É central, aparentemente, e nosso termostato está bloqueado.
Organizamos as coisas um pouco, descansamos e saímos pra comer. Vamos andando até uma hamburgueria mais ou menos próxima e comemos por lá mesmo. Os lanches são baratos, até, mas tudo é bem gorduroso e doce. Comemos, voltamos, banho e cama, que estamos os dois mortos ainda.
P.S. Eu esqueci de falar outro dia que achei um bairro com várias ruas com nomes de escritores. Curti, deu vontade de ficar rodando e procurando mais, mas não dava tempo. Tirei foto de duas placas, pelo menos.

