Meu Canada Day foi o mais quieto de todo Canadá. Acordei tarde, depois de dormir muito mal, tomei café e fui limpar o quarto. Tirei os tapetes, bati, passei pano em tudo pra tirar poeira, varri, limpei o banheiro com o negócio de vinagre “com lavanda” (devem ter um vaso com lavanda na fábrica, sei lá) e deitei pra ler um pouco, com dor nas costas. Essa cama é muito mole, acho, e não dá suporte pra minhas costas. Paciência.
Aí fui ver se o restaurante chinês estava aberto e estava! Pedi o mesmo prato da última vez, com os macarrões fininhos e trouxe pro quarto, mas dessa vez lembrei de dizer que não precisava de garfo, nem molho, nem guardanapo. Comi e estava bem bom, pra variar. A promoção é um egg roll (aquele rolinho primavera diferente) ou refrigerante, e hoje resolvi pedir um Crunch de uva! Bem coisa de criança, mesmo. Voltei pro quarto, comi, fiz café e fui atualizar o blog. Depois fiquei lendo, voltei a escrever, fui desenhar. Estava desenhando a casa deles, mas me enganei nas proporções (me acostumei com papel A3…) e só cabe a casa. Também errei outras coisas e desisti, vou recomeçar que é mais fácil que tentar consertar.

Estou morrendo de vontade de fumar, mas está quente e à noite tem muitos mosquitos. Amanhã acho que vou dar um rolê pra poder fumar em paz.
Nesse meio tempo, a família voltou. Como eu imaginava que estariam cansados e quisessem arrumar as coisas, não fui falar com eles e continuei lendo, de boas. Mais tarde percebi que Jolyn e as crianças estavam do lado de fora e fui lá bater um papo. Ela me disse que a viagem foi boa, apesar de as crianças terem sido super picadas e ficado irritadas o primeiro dia inteiro, e no segundo estava chovendo, mas foram visitar uma amiga e depois tudo melhorou. Legal. Contei do meu fim de semana, perguntei mais coisas sobre o Canadá e avisei que vamos sair no dia 3, mesmo, pro Alfredo maledetto não ficar mudando de lugar toda hora e surtar menos. As crianças, lógico, já vieram subir em mim, me oferecendo picolé e querendo brincar.
Uma das coisas que perguntei é sobre um spray que tem no banheiro, tipo aqueles borrifadores, mesmo, escrito “Cleaner” (Limpador) e mais nada, mas que cheira maravilhosamente bem. Cheirando a mistura, deu pra perceber cravo, alecrim e limão ou citronella. Ela me disse que é uma mistura de óleos essenciais que você pode comprar pela internet, que serve pra perfumar a casa etc. Se chama “Thieves Essential Oil”, ou “Óleo essencial dos ladrões”. Achei na internet e acertei alguns ingredientes, mas faltaram outros. Diz no site que o nome foi inspirado numa lenda do século XV sobre uns ladrões que elaboraram uma mistura de óleos essenciais. Nunca ouvi falar nisso e ainda vou pesquisar, mas que diabos ladrões estavam fazendo com óleos essenciais, que eram ainda mais caros do que são hoje? Será que roubaram os óleos e misturaram, eram mestres perfumistas em potencial? Próxima pesquisa.
Maior problema é o preço disso: uma garrafinha com quinze ml custa $57.24. Caro demais, sério! Vou procurar depois os óleos essenciais e misturar eu mesmo, se forem mais acessíveis (já tenho alecrim, ao menos…).
Os ingredientes, afinal, são óleo de cravo, óleo de casca de limão, óleo de canela (como não senti isso?!), óleo de eucalipto, óleo de alecrim e um óleo inerte pra compor a mistura, que imagino que seja óleo de mamona ou óleo de amêndoas doces.
Ah, óleo de mamona é o óleo de rícino e, em inglês, é chamado de castor oil, porque é extraído dos castor beans, que é o que fica dentro da mamona. Quando eu era criança, meus pais usava um óleo (que hoje imagino ser de rícino ou de amêndoas) que tinha um castor no rótulo. Lembro deles rindo de mim quando falei que era óleo de castor. Ora, se tem um castor no rótulo e é óleo, é um óleo de castor! Piada terminada.
Pra quem lembra de Breaking Bad, a ricina é um composto encontrado na mamona, mesmo, mas o óleo não é muito problemático pra seres humanos porque a ricina não é solúvel em óleo. Sim, cheio das informações hiperúteis hoje.
Já falei que estou pouco me importando com as regras oficiais da gramatiquinha? Vou escrever como quiser, inclusive usando palavras como “hiperúteis”. Se alguém quiser discutir, nonada que não vou entrar nessa jerimbamba. Simples assim.
Comi o resto da comida chinesa do almoço e tomei um ginger ale, um refrigerante que sempre quis provar. “Ale” é uma palavra pra um tipo de cerveja forte, e “ginger” é “gengibre”. Acontece que o ginger ale não é alcoólico, é refrigerante mesmo, e é gostosinho. Lembra a Gengibirra, mas com menos gengibre e menos doce. Menos viciante, também.
Pra quem não conhece, Gengibirra é um refrigerante feito no Paraná, à base de gengibre, mesmo, e é super doce e mais viciante que heroína. Você toma um gole e é esquisito. O segundo é gostoso. O terceiro você quer a garrafa do seu lado o tempo todo. Uma coisa horrorosa. O mais legal é que o nome “Gengibirra” vem de “gengibre” com “birra”, cerveja em italiano, porque passa por um processo de fermentação parecido com o da cerveja, igual o ginger ale. Culturérrimo hoje.
Continuei lendo o resto do tempo e já cheguei em 52% do livro.
Hoje a bicicleta da Tati me disse que o nome dela é Ruddy. E é menina, sim.