Diário do front 17 – Sábado – 29/06/2019

O dia já começou com um problema novo.

Eu não escrevi sobre isso aqui, mas há alguns dias recebi uma mensagem do Nubank me falando de um pagamento pro MercadoPago de R$1.286,98, parcelado em três vezes, se não me engano. Fui reportar a compra e o aplicativo sugeriu que eu esperasse sete dias, porque ainda não tinha sido confirmado e provavelmente seria estornado se fosse erro. Esperei e uns dois dias depois foi cancelado e estornado. Entrei no MercadoPago e procurei qualquer coisa relacionada a isso, e nada. Pensei que alguém talvez tivesse digitado o número do cartão errado e coincidentemente o erro foi com meu número. Beleza.

Acontece que hoje de manhã apareceu uma nova compra no meu Nubank, em nome da faxineira que ia em casa a cada duas semanas, de R$300,00. Pesquisei e não tinha por onde: foi ela. Deve ter pegado meu cartão e tirado uma foto ou coisa assim, e agora está tentando dar um golpe. Reportei a compra e entrei em contato com o Nubank, explicando a situação e passando os dados dela. Pedi mais informações sobre a compra e perguntei se devia fazer um B.O. Eles disseram que não afeta o processo deles, mas fui ver e não posso fazer isso online. O curioso é que, bem no último dia em que ela foi, sumiram uns ímãs de gatos de casa. Mandei mensagem pra ela e disse que não sabia de nada. Ela também esqueceu um casaco, mandei mensagem sobre o casaco, mas nunca foi buscar. No primeiro pagamento pro MercadoPago, fiquei desconfiado dela, mas sem certeza nenhuma, claro. A resposta que veio do Nubank confirmou a suspeita: essa compra foi feita com uma Moderninha da Uol no nome da ex-faxineira. Mandei mensagem pra ela perguntando se sabia de alguma coisa: nem respondeu. Cartão cancelado, nome dela xingado e espero que se foda pra caralho na vida. E estou sem cartão do Nubank.

Pelo menos recebi meu cartão de crédito daqui – que já está quase no limite, mas vou fazer um pagamento pra ver se liberam logo, já que ainda preciso pagar o aluguel do carro.

Hoje fez MUITO calor, o dia inteiro. Não esperava que chegasse a tanto tão rápido. Mas tudo bem. O calor aqui é diferente do calor de São Paulo. A mesma temperatura parece menos ruim. Deve ser porque tem muito menos poluição e humidade, sei lá.

Saio pra comer e, quando volto, Maria está saindo com o carro dela. Paro pra conversar um pouco e ela me fala do exame de sangue e que refez os dentes e que não sente vontade de comer etc. Ficamos uns cinco minutos falando de comida e saúde. Portugueses.

Saio de novo e pego a Helô, mas não vai dar, mesmo, pra ir com ela. Os pneus estão murchando mais rápido. Fui olhar com mais atenção, e eles estão hiperressecados de tão velhos, rachando e basicamente se desfazendo. Vou ter que ir de ônibus. Quero ir com fone de ouvido, pra ouvir música, que tem muito tempo que não ouço, mas meu chapéu não permite, por causa das abas. Verifico o horário e dá tempo de correr no Dollarama, que lembrava de ter visto uns bonés lá.

Olha o nível. Os dois, em vários lugares, estão assim.

Vou rápido no Dollarama, porque o ônibus vem em quinze minutos, e procuro na parte de chapéus. Tem aqueles bonés bem funkeiro, horríveis, de aba super larga e quadrados, que fazem você parecer ter a cabeça gigantesca, um monte de coisas bem bregas, e alguns bonés de algodão, sem botão em cima, como gosto, que parecem confortáveis. Quando vou examinar, dois problemas sérios: um, que estão todos bem velhos, puídos, descoloridos. Parece que acharam uma caixa no depósito que estava guardada há anos e colocaram pra vender. Dois, que estão cobertos de purpurina (glitter, pros mais novos). Parece que a caixa guardada teve um pote inteiro de purpurina derramado em cima dela. Tento escolher um dos menos velhos e com menos purpurina, mas não tem. Esse troço gruda e não solta nunca mais! Aí, olho no fundo, pra ver se tem algum menos sujo, e tem uns cor de vinho, novos, com pouca ou nenhuma purpurina. Solto da haste que segura pra escolher o melhor e com menos purpurina (que caiu dos que estão na frente – malandros) e experimento. Serve, fica confortável, acho legal. Vou rápido pagar e saio pro ponto. Com a mudança de rotas, os ônibus estão se atrasando – uns pouco, outros muito – então acabo tendo que esperar um pouco pra chegar, mas tudo bem, porque agora tenho um boné. :)

Pego o ônibus e vou até a Recycle Cycles, que está lotada! Explico que comprei a Helô lá e que os pneus não estão bons. A moça me pergunta se ela foi vendida “no estado” ou “revisada”, e eu digo que tinha sido revisada, de acordo com a Parker. Ela faz uma cara de “ih, caralho”, mas prefiro nem insistir e digo que só quero comprar as câmaras e pneus novos, além da porca pra consertar a bicicleta nova. Ela pergunta se quero usados ou novos e eu digo que novos – sério, pneu usado? Quanto tempo vai durar isso? Tem que ser MUITO mais barato pra valer a pena. Pago e saio, indo pra KW Surplus trocar a bomba defeituosa. Mais um rolê de ônibus depois, chego e pergunto pra moça no caixa com quem falo pra trocar um produto. Ela diz pra eu pegar a fila. OK.

Entro na fila e fico um tempo esperando. Quando é minha vez, pergunto como faz, e a outra moça me diz que é só eles me devolverem o dinheiro ou eu pegar outro produto. Digo que quero outro produto, vou lá pegar e entro na fila DE NOVO! Custava a primeira ter me dito isso? Não levou nem trinta segundos. Enfim, pego uma chave pra poder mexer nas bicicletas melhor, coloco na mochila e vou pegar o ônibus pra voltar pro quarto.

Pode parecer meio pouco, mas cada trajeto desse leva de quarenta minutos a uma hora de ônibus. Muita volta, muito devagar, muito espaçado. Quando chego, vou ao mercado de novo. É bem perto daqui, felizmente! Encontro azeite por acaso e é uma garrafa gigante de 2.85 litros por quinze dólares! Muitas comidinhas com esse azeite.

 

 

Volto pro quarto mais uma vez e vou cuidar da bicicleta nova. Coloco a porca que falta e alinho a roda. Subo o selim, que estava super baixo. Fica certo pra mim, claramente vou precisar subir mais pra Tati usar. Instalo a presilha pra garrafa, o suporte pra bomba, o suporte pra trava (sim, vem com um suporte legal pra facilitar carregar com você), o descanso, encho os pneus e passo um pano em algumas partes. Ainda tem bastante coisa pra fazer, mas já está muito melhor. Dou uma rodada e tudo parece funcionar e estar alinhado. Já está começando a escurecer e eu já estou com bastante fome (aparentemente, os mosquitos também, porque já começaram a me atacar), guardo a bicicleta nova (ainda sem nome) e vou pegar uma pizza no lugar que tem aqui perto.

 

Já ficando bem melhor…

Peço uma pequena, que é até grande, de “Meat Lovers” – “amantes de carne”. Tem pepperoni, bacon e outra carne ainda não identificada. Estou tentando bastante subir meu consumo de proteína aqui, que é bem difícil com fast food em todo lugar. Levo pro quarto pra comer. Lembra a pizza do Rio – mais firme e mais grossa que a de São Paulo, mas tem pouco recheio. É ok, mas não é delícia igual a de São Paulo.

Aliás, por que chamamos de “recheio”? Não faz o menor sentido. “Recheio” vai dentro, não em cima. Calzone é recheado. Enfim, aqui isso é chamado de “topping”, ou “cobertura”, mais ou menos. Seria melhor chamar de cobertura, acho.

Como a pizza e vou tomar um banho. Bate um cansaço, vou tomar um banho e deitar, que minhas costas estão doendo bastante.