Diário do front 15 – Quinta – 27/06/2019

Hoje liguei pra locadora de carros pra estender um dia da locação e foi super fácil – até dia 6, teoricamente quando pegamos as chaves pro apartamento. Aliás, parece que a pessoa da imobiliária vai me encontrar direto no apartamento, com as chaves e o contrato, e eu preciso levar o primeiro aluguel. Pensando em como levar isso. Pensei em tirar o dinheiro do banco e levar todo trocado numa valise, mas a nota mais baixa aqui é de cinco dólares e (felizmente) o aluguel não vai encher uma valise de jeito nenhum. Abandonei a ideia já.

A mina da tradução entrou em contato perguntando há quanto tempo traduzo. Por vontade própria desde 1999 (sim, verdade). Profissionalmente, desde 2003, se não me engano. Aí pediu um currículo. Atualizei e mandei, e ofereci pra fazer o primeiro parágrafo pra ela ver como fica. Hesitou, mas aceitou. Fiz o primeiro parágrafo e, sem falsa modéstia, ficou ótimo. Horas depois, manda mensagem dizendo que vai fazer mesmo com a empresa de tradução que a revista recomendou. Aposto que orientador ficou enchendo o saco pra fazer com a empresa do amigo ou coisa assim.

A família daqui está se preparando pra ir acampar. Amanhã é feriado e segunda também (é Canada Day), então Tyler tirou a quinta de folga pra já irem e aproveitarem mais. Eles estão caóticos, coitados. Além de tudo, Evellyn deu muito problema ontem e não conseguiram arrumar as coisas que queriam, então ficou tudo pra hoje de manhã. Ofereço ajuda, aceitam um pouco, e Jolyn pede pra eu tirar o lixo, mas, fora isso, estou mais sobrando que qualquer outra coisa, então entro pra continuar a tradução do primeiro parágrafo que falei ali em cima.

Lembra dos potões que iogurte que comprei? Os dois são deliciosos. Pra lembrar, comprei baunilha e cereja, e o de cereja vem com pedaços de fruta dentro. Delícia, mesmo. Cremosos e firmes, não muito doces. Comi um pouco do baunilha e voltei a trabalhar, mas a Evellyn está gritando muito, que não quer ir acampar, e não estou conseguindo. Fico lendo, porque aí consigo desligar um pouco dela e, assim que eles saem, eu saio também e vou no restaurante chinês de novo. Quero o primeiro prato que comi, mas não lembro o nome, e acabo pedindo um que é meio que o oposto – o macarrão daquele era bem fininho e esse é bem grosso. Gosto mais de macarrão fino, mas tudo bem, já pedi, comi. Essa regra, claro, só se aplica pra coisas que dá pra comer. Samosas, por exemplo, não rola.

Volto, termino a tradução e envio. Nisso chega um email da imobiliária: precisam de dados pra uma associação de moradores dali. Legal. Mando tudo, explico que a Tati ainda não tem telefone, mas que, assim que tiver, mando pra eles. Aí saio pra ir ao mercado de novo, que preciso de pão.

Mas acabo comprando pão, cereja (3.60 por quase um quilo!) e sorvete, que está fazendo um calor forte e me deu vontade. Volto pro quarto com as coisas e vou provar o sorvete, que é uma delícia. É de menta, um dos meus sabores favoritos, e é President’s Choice – uma marca “alternativa” de comida que procura oferecer boa qualidade por preços baixos, e até agora acertaram em todas. Existem outras marcas mais baratas, é bem verdade, mas a diferença é quase sempre ridícula e a qualidade é muito superior.

Pão photobombing.

Fico no quarto lendo mais um pouco até escurecer, e vou lá fora tirar o lixo. Quando abro a porta do quarto, um coelho que estava deitado bem na frente da minha porta sai correndo. De novo. Acho que esse coelho está me perseguindo. E aposto que só com a Santa Granada de Mão de Antióquia consigo me livrar dele.

Santa Granada de Mão de Antióquia em uso

Os mosquitos me atacam, mas vou me livrando dos que consigo. O lixo aqui, agora entendi, é separado assim: numa lata preta, o que não é compostável nem reciclável. Isopor, por exemplo, apesar de reciclável, não é reciclado, e vai nessa preta. Numa verde, tudo que é compostável. Resto de comida que não seja carne, papel, resto de café etc. Numa azul marinho, vão os metais, vidros e plásticos. Numa azul-petróleo vai papel mais grosso e papelão. Você arrasta isso tudo pra frente da casa (todas devidamente marcadas com o endereço da casa), os lixeiros passam recolhendo, entre 7h e 16h, geralmente, e você traz as latas de volta. Lata é modo de dizer, são de plástico.

Uma coisa que eu não esperava aqui é a sujeira. Muita sujeira pra todo lado. Desconfio que já falei disso, mas vou me repetir, porque é chocante, mesmo: acho que tem mais sujeira que no Brasil. Copo descartável, papel, plástico, bituca de cigarro, tudo vai direto pro chão. É bem verdade que existem muito poucas lixeiras disponíveis, também, e aí é uma falha do governo, mas não justifica a sujeira que as pessoas largam pela rua.